Cuidado!

Não amem o mundo nem o que nele há” (1João 2.15a).

Ilha de Patmos. Os anos passaram para o idoso João, o discípulo de Jesus. Como que com uma caneta fluorescente ele marcava, nas horas silenciosas na ilha solitária, aquilo que ele desejava escrever para nós, cristãos, no “álbum de família”. Como se fosse uma pedra talhada, lá encontramos a frase: “Não amem o mundo nem o que nele há”. E o que há no mundo? Que sacrifícios eles trazem para satisfazer seus desejos e vontades? João as cita pelo nome:

  1. a cobiça da carne,

  2. a cobiça dos olhos,

  3. a ostentação dos bens.

Aqui temos o produto do pecado em um mundo sem Deus. Dedique algum tempo para descobrir aquilo que se enquadra nas três categorias.

Um João inocente? Idoso, debilitado, senil, velho e cansado da vida? Arrebatado para as esferas celestiais? Incapaz de analisar o presente? Acontece que nós todos estamos no meio deste mundo. Somos exigidos a dar o melhor de nós. Somente os bem-sucedidos sobrevivem. Não seria necessário, então, entrar sabiamente em acordo com o mundo?

Com perspicácia espiritual, esse valoroso homem de Deus aborda o essencial, e continua: “Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele” (verso 15b). Uma coisa exclui a outra. Isso ou aquilo! É impossível amar a Deus e, simultaneamente, ficar de mãos dadas com o mundo. Nós sempre entregamos nosso coração para alguma coisa. Cabe a nós decidir a respeito. D. L. Moody, o conhecido evangelista, fez isso. Na sua lápide consta uma maravilhosa profissão de fé, que representava o teor de sua vida: “Aquele que cumpre a vontade de Deus permanecerá eternamente”.

Já há algum tempo está em pleno andamento a chamada “discussão de valores” no mundo. Com a gente também? Para que eu existo? Qual é o conteúdo da minha vida como cristão? Para onde fluem as minhas melhores forças? Para quem eu dedico meu precioso tempo?

Como é fácil, no atropelo do dia a dia, esquecer que a nossa vida é uma viagem somente de ida. Não é possível repetir uma hora sequer, nenhum dia pode ser apagado. Que rastros eu deixo para trás? O que me espera ao final de minha trajetória? No entanto, é impressionante observar quantos cristãos vivem apaixonados pelo mundo! Eles não conseguem se fartar com as requintadas guloseimas apetitosas que o Diabo lhes coloca sob o nariz. Quem ainda considera a vontade de Deus como alvo principal? Quem a considera uma preciosidade?

Quem pergunta pela vontade de Deus quando ele ou ela encontram alguém que lhe agrada? A decisão de Sansão foi somente: “Então foi conversar com a mulher de quem gostava” (Juízes 14.7). E hoje? Simplesmente se casa (quando ainda se casa). Ou: “Essa profissão promete carreira, rendimentos, reconhecimento, vantagens”. Ou: “Primeiro quero gozar a vida. – Filhos? Mais tarde!”. Ou: “A gente já não aproveita quase nada!” Assim, toleramos qualquer bugiganga cara e não damos conta que o Diabo fica cuspindo a valer no prato, prejudicando a alma. A busca pela vontade de Deus torna-se secundária. O mal, porém, traz consequências. Por quê? Aqui está escrito: “... mas não consultaram o Senhor” (Josué 9.14b). Para muitos o arrependimento veio tardiamente!

Quando Esdras examinou o povo que voltava do cativeiro e viu o seu estado de degradação por não ter obedecido aos mandamentos de Deus, ele foi tomado de ira santa (Esdras 9)! Em total desespero ele rasgou seus vestidos, arrancou seus cabelos e sentou-se como se estivesse anestesiado.

O que havia acontecido? Muitos casaram-se com mulheres estrangeiras e geraram filhos (Esdras 10.44). Assim, houve uma miscigenação do povo escolhido de Deus com povos pagãos. E os maiorais e os líderes? Eles estavam entre os primeiros a desencaminhar o povo. Quanta consequência dolorosa houve naquela ocasião!

E nós, cristãos, não temos também dificuldades em obedecer ao nosso Deus? Somos ágeis em firmar compromissos podres quando estamos prestes a “sofrer o pênalti”! Nesse caso, a via da verdade é sempre a mais curta e a via da fidelidade é sempre a mais abençoada.

Nesse sentido, somos exortados: “Lembrem-se dos seus líderes, que transmitiram a palavra de Deus a vocês. Observem bem o resultado da vida que tiveram e imitem a sua fé” (Hebreus 13.7). Vale a pena sermos lembrados de nossos pais na fé. Lembrados dos homens de Deus que enfrentaram o inimigo com firmeza na fé e coragem. Eles tinham ânimo para se opor ao espírito da época. Tinham coragem para dizer não aos caminhos errados porque a verdade divina estava em jogo. E, como alguns deles foram ridicularizados e considerados pessimistas, somente porque queriam ser fiéis ao seu Senhor Jesus, que deu seu sangue e sua vida por eles.

Nesse caso, a via da verdade é sempre a mais curta e a via da fidelidade é sempre a mais abençoada.

Querido filho de Deus! Os troféus da vitória serão distribuídos somente no destino final. Somente após terem alcançado o alvo é que os fiéis ouvirão a palavra: “Venha e participe da alegria do seu senhor!” (Mateus 25.21).

Assim, livre-se de todo peso morto que lhe dificulta correr a maratona da fé. Tudo o que você abandonar por amor a Jesus – seja o que for – será sempre uma vantagem para você! A sua fidelidade é preciosa para o Senhor Jesus! “Inflame-se” novamente em amor para o Senhor Jesus! — Manfred Paul

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